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Os desafios do novo profissional de TI frente ao mercado

Por zoomdigital
Categoria: Destaques
ago 24th, 2010
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Os desafios do novo profissional de TI frente ao mercado

Aqui nesse espaço é possível encontrar diversos artigos, de excelente qualidade, que auxiliam eficazmente a capacitação técnica dos profissionais de TI que visitam o Zoom Digital, assim, resolvi aproveitar a honrosa oportunidade oferecida pelos gestores do site para escrever sobre algo diferente e humildemente tentar auxiliar na capacitação pessoal desses profissionais, compartilhando parte dos meus 20 e poucos anos de experiência nesse setor, onde fui observado e pude observar a postura, os defeitos, qualidades, expectativas e outros aspectos do relacionamento entre a pessoa do profissional de TI e os interesses do mercado.

Ganhei meu 1º computador aos 13 anos de idade, um incrível CP300 da Prológica e iniciei minhas aventuras pelo BASIC, 3 anos depois veio o CLIPPER e o COBOL.   Era uma época onde se aprendia nos livros de papel, geralmente raros, caros e emprestados.    Os compiladores e outros softwares eram obtidos através de algum colega que os copiavam em disquetes de 5,25’’ nas empresas que trabalhavam ou através de alguma BBS via DDI e eram utilizados em PCs de 4Mhz com monitores de fósforo verde.

Hoje esse relato parece coisa extraída da “Era Mesozóica” e talvez não tarde para que um bebê avise que está na hora de nascer através de um SMS ou dos 140 caracteres do twitter.    Isso não me espantaria já que a evolução tecnológica é intensa e o conhecimento, em diversos níveis e disciplinas está a dois cliques de distância, sem qualquer custo e até mesmo antes do lançamento oficial.

Essa facilidade criou uma geração diferente, mais dinâmica, apaixonada por tecnologia, “antenada” às mudanças e capaz de se manter atualizada.     Seus integrantes possuem círculos de relacionamento (networking) compostos de milhares de amigos (?!) virtuais e estão capacitados para ocupar qualquer cargo técnico em qualquer empresa de qualquer lugar do planeta.

Mas então, por que as empresas não conseguem preencher suas vagas?  Por que, segundo estimativas da FGV, até 2014 haverá um déficit de 800 mil profissionais para suprir a demanda do mercado?  E por que ainda há tanto profissional tecnicamente capacitado, mas ainda desempregado?

As empresas estão tentando acompanhar essa evolução tecnológica e hoje já buscam selecionar seus candidatos dentro das redes sociais, mas essa é apenas uma etapa da contratação e para o profissional de TI candidato a uma vaga os desafios estão apenas começando.

Logo no início da próxima etapa (a entrevista) o candidato demonstra sua primeira deficiência: a falta de postura pessoal.     Por acreditar que o setor de TI é tão informal quanto a internet o candidato comparece vestido de maneira inadequada, não que necessite se apresentar trajando paletó e gravata, mas o mínimo de sobriedade, como um tênis limpo, calça ajustada na cintura (sem aparecer a cueca), camiseta sóbria e cabelo penteado, são requisitos desejados, pois demonstram o zelo e a organização do profissional.     Também nessa linha o candidato apresenta dois tipos de comportamento indesejado: ou é autoconfiante em excesso, chegando a arrogância, pois sabe que detém mais conhecimento técnico que o entrevistador ou é extremamente tímido, mantendo-se cabisbaixo, evitando cruzar o olhar com o recrutador e usando um tom de voz quase incompreensível, demonstrando a falta de capacidade de relacionamento interpessoal no mundo real.

Ainda nessa etapa uma nova deficiência aparece: a falta de habilidade na comunicação verbal.      Durante a entrevista o candidato, desejoso por mostrar seus conhecimentos e sua paixão pela área de tecnologia, exagera no uso de termos técnicos e gírias, esquecendo-se que geralmente o entrevistador não é um profissional da área. Essa postura leva o recrutador a acreditar na incapacidade do entrevistado em manter um relacionamento com os profissionais de outros setores, pois não se expressa com clareza, não consegue expor suas idéias, dificuldades e soluções de forma objetiva.

A falta de habilidade na comunicação verbal se expande para a falta de conhecimentos gerais, mostrada na incapacidade do jovem profissional de TI em abordar assuntos externos ao universo tecnológico, sendo incapaz de distinguir BRIC de IDH sem uma consulta no Google ou de defender sua opinião sobre o “ensino fundamental brasileiro” por mais de 2 minutos.

A falta de habilidade na comunicação escrita é outro ponto crítico do candidato e geralmente aparece após vencida a barreira da entrevista, durante a fase de estágio.   O profissional de TI se esquece que o mundo corporativo não é feito apenas de termos técnicos ou comunicações informais.     A vida corporativa demanda habilidades para se produzir relatórios, comunicados e e-mails minimamente formais, direcionados a outros setores da empresa.    Agora imagine um e-mail endereçado a um diretor da empresa com os seguintes dizeres: AE KRA O REL Q VC PEDI TÁ AKI, VEM PEGAH, ABRS! KKKKKK.

Por fim, a principal reclamação de 9 entre 10 CIOs sobre os novos profissionais contratados: ansiedade e o imediatismo. Estimulados pelo dinamismo, agilidade das ações e acontecimentos do mundo virtual e do universo da tecnologia, o jovem profissional busca insistentemente impor seu ritmo, brigando por mudanças de regras, mudança de processos, criticando diretrizes e planejamentos já estabelecidos.    Essa ansiedade é motivada pelo desejo de crescimento rápido dentro da hierarquia da empresa, ignorando que o ritmo corporativo é bem diferente.

Meu conselho ao jovem profissional de TI é que nunca deixe de se aprimorar tecnologicamente, mantenha a auto-estima e a auto-motivação, o dinamismo, a pro atividade, o espírito empreendedor, a criatividade e o idealismo que marcam essa geração, nunca se calando diante de um problema, apontando as possíveis melhorias e elaborando novas idéias.

Entretanto deve aprimorar a sensibilidade e a racionalidade para reconhecer o momento certo para apresentar suas propostas de solução e melhoria.     Capacite-se para preparar argumentações coerentes e para apresentá-las de maneira clara e objetiva.

O profissional deve cumprir primorosamente suas obrigações contratuais, mantendo sempre o foco no objetivo de conquistar o respeito, a confiança e a credibilidade perante os demais integrantes da empresa, que são alcançados paulatinamente com demonstrações de capacidade técnica, respeito aos colegas e humildade, além de uma dose de política e psicologia para tratar de assuntos críticos e administrar as crises.

Tenha em mente que engolir sapos é necessário, assim como pedir desculpas e admitir erros e deficiências, e que os feedbacks negativos, nos auxiliam a identificar onde devemos e podemos melhorar, devendo sempre serem utilizados em benefício próprio.

Tudo faz parte do crescimento profissional, mas não admita a injustiça e o assédio moral (o sexual só se valer a pena).

Se relacionar bem com os colegas do trabalho, independentemente do setor, pode render um bom networking.   Assim como a postura respeitosa, frente aos gerentes e, principalmente diretores.    Lembre-se que eles também trocam de empresas e numa dessas mudanças você também poderá ser beneficiado.    Vale lembrar que o “quem indica” ainda é o principal fator de contratação de novos profissionais.

Busque estabelecer conceitos e opiniões próprias para os diversos assuntos, mesmo que de maneira generalista, engaje-se politicamente (mas não exagere, não precisa se filiar a um partido político) estabelecendo consciência e posicionamento sobre os assuntos que envolvem a sociedade.

Uma empresa pode até contratar um profissional com as deficiências apresentadas, porém, se você se enquadra nesse perfil, tenha em mente que dificilmente irá se tornar um líder, dificilmente alcançará níveis maiores dentro da hierarquia empresarial, devendo se contentar em atuar como técnico ou analista por um longo tempo.

Não se pode esquecer que a maioria dos atuais gerentes e diretores de tecnologia são meus contemporâneos, e que acompanharam o crescimento da tecnologia no Brasil, enfrentaram a reserva de mercado imposta pelo governo federal no final dos anos 80, viram o nascimento da internet e venceram barreiras para convencer os diretores das corporações que o uso de TI era importante, logo, prezam o conhecimento técnico, mas tem um grande apreço pelo relacionamento humano, respeitoso e utilizando uma boa comunicação, ou seja, pelo profissional pleno.

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O Zoom Digital é um portal de tecnologia criado em 2008 e a 6 anos no mercado se consolidou como um dos maiores portais de tecnologia brasileiro.

4 Responses to “Os desafios do novo profissional de TI frente ao mercado”

  1. Fala Anderson!

    Cara, parabéns pelo seu texto!
    De fato, consegui identificar muitos pontos que vejo presentes no meu dia a dia, nessa minha curta jornada na área de TI.
    Sem dúvidas, precisamos de alguém com tamanha experiência como a sua, aqui no Zoom Digital!

    Parabéns mais uma vez!

    Grande abraço!

  2. zoomdigital disse:

    Excelente artigo. Otimo começo heim!!! Já criamos uma área especial para seus artigos, espero que muito mais pessoas gostem.

    att

  3. AE KRA O REL Q VC PEDI TÁ AKI, VEM PEGAH, ABRS! KKKKKK

    Essa foi boa kkkkkkk

    Isso é fato: dialogar informalmente existe, e muito. Eu já atuo há alguns anos no ramo de TI, mas ainda pretendo ir mais afundo e partir para a área empresarial, se Deus quiser, como chefe.

    Acredito que muito além do desejo próprio e busca pelo conhecimento, o profissional de TI deve respeitar a si mesmo e a sociedade. Porque se privar da sociedade se é para ela que trabalhamos?

    Muito boa a colocação do texto. Está com meu apoio. Juntos por uma TI "Tecnicamente Inteligente" e "Totalmente Interessada" em investir no melhor para a população.

    Abraços!

  4. Parabéns pelo artigo.

    Acredito que capacitar-se é extremamente importante, principalmente numa área tão importante como a de T.I.
    Fui muito na minha preparação para o mercado graças os curso ministrados pelo Curso ADV.
    Segue o link para os interessados. http://www.cursoadv.com.br

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